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Artigo principal do blogue:
Porque é que o Estado precisa de controlo - mas precisa de cálculo
Um olhar crítico sobre o controlo financeiro da administração pública na era dos espaços de decisão exponenciais
Sumário executivo
O controlo financeiro do Estado é uma pedra angular da ordem democrática. Cria transparência, assegura a legalidade e permite o controlo parlamentar. No entanto, num mundo de interdependências políticas, económicas e sociais altamente complexas, este sistema está a atingir os seus limites estruturais.
Hoje, o Estado controla corretamente o que aconteceu.
No entanto, não pode calcular o que deveria ter acontecido.
Os maiores prejuízos económicos não são causados por despesas ilegais, mas sim por decisões legais, transparentes, mas sistematicamente sub-óptimas. Este artigo mostra por que razão a auditoria ex-post clássica não é suficiente - e por que razão o controlo governamental necessitará de um cálculo ex-ante das decisões no futuro.
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1. O papel do controlo financeiro do Estado
O controlo financeiro do Estado audita a gestão orçamental e económica do Estado. As suas tarefas podem ser resumidas em três termos:
- Auditoria
- Aconselhamento
- Elaboração de relatórios
Estas funções permitem o controlo parlamentar e garantem o Estado de direito, a regularidade e a transparência. Mas a sua lógica é inversa: As decisões são avaliadas depois de terem sido implementadas - e não antes de serem selecionadas.
2. O pressuposto silencioso da auditoria
O controlo financeiro tradicional baseia-se implicitamente num pressuposto:
Se todas as regras forem cumpridas, o resultado é, pelo menos, aceitável.
Este pressuposto era viável em sistemas geríveis. Nos espaços de decisão actuais, já não é.
A conformidade com as regras não diz nada sobre o facto de se tomar uma decisão:
- é economicamente óptima
- Afectou os recursos da melhor forma possível
- gera o maior benefício social a longo prazo
Uma decisão pode ser formalmente correta e estrategicamente errada ao mesmo tempo.
3. Das decisões individuais aos portefólios
A política moderna não é constituída por medidas individuais, mas por carteiras de decisões.
Um orçamento nacional não é um projeto, mas uma carteira de elevada dimensão:
- Investimentos
- Programas de apoio
- Subsídios
- Medidas de infra-estruturas
- Prestações sociais
- Despesas de defesa
Cada medida está em concorrência com todas as outras:
- Orçamento
- Tempo
- Capacidade administrativa
- atenção política
A questão crucial já não é, portanto, a seguinte:
"Esta medida foi correta?"
mas sim:
"Esta medida foi a melhor escolha entre todas as alternativas possíveis?"
Os testes clássicos não podem responder a esta pergunta.
4. O ponto cego: custos de oportunidade
O maior bloco de custos das decisões governamentais não aparece em nenhum orçamento: Os custos de oportunidade.
Todas as decisões excluem outras. Todas as prioridades geram renúncias.
Esta renúncia torna-se:
- não calculada
- não reconhecido
- não verificada
O controlo financeiro vê onde foi gasto o dinheiro. Não vê onde o dinheiro poderia ter sido utilizado de forma mais eficaz.
Isto significa que a parte economicamente mais relevante da decisão permanece invisível.
5. Espaços de decisão exponencial
Acima de um certo número de projectos, o número de combinações de decisões possíveis não cresce linearmente, mas exponencialmente.
- 10 projectos: 1.024 combinações
- 20 projectos: mais de 1 milhão de combinações
- 50 projectos: mais de 1 quatrilião de combinações
Ninguém - nenhum ministério, nenhum comité, nenhum gabinete - consegue compreender intuitivamente este espaço.
Nestes espaços, as decisões não são tomadas de forma óptima, mas:
- negociadas politicamente
- historicamente actualizadas
- simplificadas administrativamente
O exame não pode corrigir esta estrutura porque ela é criada antes de a decisão ser tomada.
6. Porque é que o controlo ex post chega sistematicamente demasiado tarde
O controlo financeiro produz efeitos quando:
- Os fundos já estão autorizados
- Os projectos já estão em curso
- os custos políticos de uma mudança de rumo são elevados
Mesmo as constatações de auditoria sérias só conduzem frequentemente a
- Recomendações
- Obrigações de comunicação
- processos de aprendizagem a longo prazo
Não para tomar decisões óptimas, mas para reduzir as más repetições.
7. Os limites do mandato de aconselhamento
A função de aconselhamento do controlo financeiro também permanece limitada por esta lógica. Pode:
- assinalar os riscos
- chamar a atenção para as ineficiências
- identificar deficiências estruturais
No entanto, não pode calcular uma alternativa óptima porque
- o seu mandato não foi concebido para o efeito
- os seus instrumentos são retrospectivos
- o seu papel continua a ser deliberadamente neutro e de controlo
A consultoria não substitui o cálculo.
8. A necessária mudança de paradigma
O controlo sustentável do Estado exige um complemento à arquitetura existente:
| Hoje | Amanhã |
|---|---|
| Análise ex post | Otimização ex ante |
| Conformidade com as regras | Maximização do impacto |
| Transparência | Qualidade da decisão |
| Controlo | Cálculo |
Não se trata de abolir o controlo. Trata-se de o completar com inteligência de decisão.
Temos as ferramentas: Porque é que o Estado precisa de controlo - mas precisa de cálculo