Artigo principal do blogue:
Porque é que atualmente ninguém calcula os óptimos globais
- e porque é que isto não é uma coincidência
Resumo executivo
Em quase todas as organizações - desde empresas a instituições financeiras e ao sector público - as decisões estratégicas são tomadas de acordo com um padrão semelhante: analisar, discutir, estabelecer prioridades, decidir.
Os instrumentos utilizados diferem em pormenor, mas não em princípio. Os cenários são comparados, os números-chave agregados, os riscos simulados, os pressupostos discutidos. As decisões baseiam-se no consenso, na experiência e na plausibilidade.
O que é surpreendente é que os óptimos globais, calculados ex-ante, dificilmente desempenham um papel na prática.
Não por serem impossíveis. Não porque não sejam necessários. Mas porque os modelos existentes de organização, consultoria e governação não estão estruturalmente concebidos para tratar as decisões como problemas de otimização matematicamente solucionáveis.
Este artigo explica
- porque é que isto acontece,
- onde se encontram os limites da lógica clássica de tomada de decisões
- e porque é que o cálculo de óptimos globais não é uma evolução dos métodos existentes, mas uma nova categoria.
1. Como são tomadas as decisões atualmente
Independentemente do sector ou da dimensão, as decisões complexas seguem normalmente o mesmo processo:
- Os projectos ou medidas são descritos individualmente
- A rentabilidade é estimada ou modelada
- Os riscos são simulados ou avaliados qualitativamente
- Os cenários são comparados
- Os comités discutem e estabelecem prioridades
- É feita uma seleção
Esta lógica é familiar, aceite e institucionalmente ancorada. É compatível com as funções existentes:
- A direção decide
- Medidas de controlo
- Estruturas de consultoria
- Os comités legitimam
O ponto crucial: esta lógica avalia as decisões - não as calcula.
2. A avaliação não é um cálculo
Na prática, as decisões são quase sempre avaliadas ex post ou localmente:
- "Qual o projeto com maior ROI?"
- "Que cenário é mais robusto?"
- "Que medida parece plausível?"
Estas perguntas são legítimas - mas não são equivalentes à pergunta:
Que combinação de todas as medidas possíveis é globalmente óptima sob determinadas restrições?
A diferença é fundamental:
- A avaliação compara alternativas conhecidas
- O cálculo procura o próprio espaço de decisão
Logo que estejam envolvidos mais do que alguns projectos, objectivos ou restrições, este espaço de decisão explode exponencialmente. Nesta altura, a discussão, a intuição e os números-chave isolados são matematicamente ultrapassados - independentemente da experiência ou inteligência.
3. Porque é que os óptimos globais raramente são calculados
O facto de os óptimos globais serem raramente calculados não é uma coincidência, mas sim o resultado de várias limitações estruturais.
3.1 Lógica organizacional
As organizações foram concebidas para distribuir responsabilidades e não para as agrupar matematicamente.
Uma solução óptima calculada gera
- Não ambiguidade
- Reprodutibilidade
- Coerção
Isto contradiz a lógica de muitos processos de decisão, que deixam deliberadamente espaço para interpretação, consideração e legitimação política.
3.2 Lógica da consultoria
Os sistemas clássicos de consultoria fornecem
- Quadros de decisão
- Lógicas de comparação
- Narrativas
- Ajudas à definição de prioridades
Mas não
- soluções matematicamente convincentes
- óptimas verificáveis ex-ante
A razão não é a falta de conhecimentos, mas a responsabilidade e a lógica do modelo empresarial. Um ótimo global não é uma proposta - é uma afirmação com um ónus de prova.
3.3 Lógica de governação
Nas estruturas de governação, aplica-se o seguinte:
- As decisões devem ser explicáveis
- A responsabilidade deve poder ser atribuída
Um ótimo calculado altera esta lógica:
- da opinião à dedução
- da experiência ao modelo
- da discussão para a prova
Muitos sistemas não estão culturalmente nem legalmente preparados para isso.
4. O pressuposto silencioso por detrás de "Ninguém faz assim"
A afirmação
"Ninguém o faz dessa forma"
parece, à partida, um argumento. Na realidade, é uma observação sem força normativa.
Ela pressupõe implicitamente:
Se algo fosse relevante, já estaria a ser feito.
Este pressuposto não é historicamente sustentável. Quase todas as inovações estruturais nos sistemas de decisão, financeiros e de controlo não foram feitas inicialmente porque não se enquadravam nos modelos existentes.
Não é a inovação que está a faltar - é a conetividade.
5. Porque é que a otimização da decisão não é uma disciplina de consultoria
A otimização global da decisão é fundamentalmente diferente da consultoria:
| Consultoria | Otimização de decisões |
|---|---|
| estrutura a discussão | elimina a discussão |
| fornece plausibilidade | fornece dominância |
| trabalha com cenários | trabalha com espaços completos |
| aceita a ambiguidade | impõe a não ambiguidade |
| é responsável pelo processo | adere ao modelo |
Estas diferenças não são graduais, mas sim categóricas.
É por isso que a verdadeira otimização não surge dentro dos modelos de consultoria existentes, mas fora deles - como uma infraestrutura separada.
6. Ex-ante em vez de ex-post: a mudança de perspetiva
A rutura central reside na calendarização:
- Os sistemas tradicionais avaliam as decisões depois de estas terem sido tomadas
- A otimização calcula as decisões antes de estas serem tomadas
A otimização ex ante significa
- Tornar visíveis os custos de oportunidade antes de estes surgirem
- Resolver matematicamente objectivos conflituosos em vez de politicamente
- Justificar decisões de forma reprodutível
Isto não altera apenas os resultados - altera a responsabilidade, a governação e a qualidade da tomada de decisões.
7. Porque é que isto é inconveniente
Os óptimos globais são inconvenientes porque
- Encurtam as discussões
- Criam mudanças de poder
- tornam explícitos os pressupostos implícitos
- Tornam as decisões verificáveis
Reduzem o espaço para:
- Intuição
- compromissos políticos
- justificações retrospectivas
Não por maldade, mas por coerência matemática.
8. Uma nova categoria: infra-estruturas de decisão
O que surge aqui não é nem uma coisa nem outra:
- Consultoria
- Software no sentido clássico
- De controlo
- BI
Mas infra-estruturas de decisão.
Um nível que:
- Formaliza os espaços de decisão
- Mapeia matematicamente objectivos conflituosos
- Integra restrições
- e calcula o ótimo global
Não como uma recomendação - mas como uma propriedade do sistema.
9. Porque é que o tema é agora relevante
Vários desenvolvimentos estão a atuar simultaneamente:
- aumento da complexidade
- orçamentos limitados
- aumento da responsabilidade
- pressão crescente sobre a governação
- tolerância cada vez menor para decisões erradas
Estes factores tornam cada vez mais arriscado não calcular as decisões.
Não porque o cálculo seja perfeito - mas porque o não cálculo gera sistematicamente custos de oportunidade.
10. Conclusão
O facto de, atualmente, quase ninguém calcular os óptimos globais não é uma prova contra a ideia. É uma prova das limitações dos sistemas existentes.
A otimização das decisões
- não é um produto de consultoria
- não é uma ferramenta
- nem uma tendência
Mas uma resposta necessária aos espaços de decisão exponenciais.
Nem toda a gente vai precisar dela. Mas todos os que precisarem dele não o poderão substituir.
FAQ - Perguntas frequentes dos decisores
A otimização global não é teórica, mas irrealista na prática?
Não. Não é realista gerir permanentemente carteiras complexas sem uma otimização formal.
Isto significa o fim da experiência de gestão?
Não. A experiência continua a ser relevante - mas já não como substituto da tomada de decisões, mas como entrada de modelos.
A otimização substitui a responsabilidade humana?
Pelo contrário. Torna a responsabilidade mais explícita porque as decisões podem ser justificadas.
Porque é que nem todas as organizações estão a utilizar isto ainda?
Porque as estruturas, os processos e os padrões de pensamento precisam de tempo para se adaptarem a novas categorias.
Não será demasiado rígido para a complexidade do mundo real?
Rígidas são as decisões heurísticas em espaços complexos. A otimização mapeia explicitamente a complexidade.
Isso não conduz a problemas de aceitação?
A curto prazo, sim. A longo prazo, a aceitação aumenta através da compreensibilidade.
É escalável?
Sim, existem abordagens de otimização algorítmicas e híbridas precisamente para este fim.
É um ataque à consultoria?
Não. É um complemento a um nível diferente.
Quando é que a otimização das decisões se torna inevitável?
Assim que os espaços de decisão se tornam maiores do que o que os seres humanos podem supervisionar de forma plausível.